Nossa História
Hoje nós vamos conversar e contar a vocês um pouco da história da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, que não está apenas no Rio de Janeiro, mas isso nós já vamos explicar. A Diocese Central foi uma das três dioceses criadas em 1950, quando foram criadas três dioceses para a Igreja Episcopal Brasileira. Na época, duas dioceses estavam no Rio Grande do Sul e uma diocese, com sede no Rio de Janeiro, que abrangia todo o território nacional, iniciando pelo estado do Paraná, indo até Roraima, Rondônia, região Norte e região Nordeste.
A sede era o Rio de Janeiro. Essa diocese, com o nome Diocese Central, originalmente em 1950, foi ao longo dos anos se tornando Diocese Mãe para a Diocese Anglicana de São Paulo, inicialmente Diocese Subcentral, em 1969, e depois em 1975 para a Diocese Setentrional, que passou a depois se chamar Diocese Anglicana do Recife. E essas dioceses também deram origem, foram dioceses mães para outras dioceses também.
Mas então, esse ano nós completamos 70 anos como diocese, como região eclesiástica aqui no Brasil. A Diocese Central, e hoje Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, já teve sete bispos. Se nós contarmos com os bispos ainda quando a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil era um distrito da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, então estaríamos já no décimo bispo.
Os nossos bispos em comum foram o bispo Lucien Lee Kinsonving, William Thomas e Atalício Pithan, e os bispos especialmente escolhidos para essa região, para serem bispos aqui no Rio de Janeiro e para a região que compõe a Diocese, foram Louis Melcher, Edmund Sherrill, Agostinho Soria, Sidney Ruiz, Celso Franco de Oliveira, Filadelfo Oliveira e Eduardo Grilo, que sou eu. Nos anos 90, a Diocese Central mudou seu nome para a Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, seguindo um padrão criado já no Sínodo de 1988, quando surgiu a Diocese Anglicana de Pelotas, e depois com o tempo as outras dioceses foram, em sua maioria, adotando essa nomenclatura. Então a Diocese Anglicana do Rio de Janeiro não é apenas no Rio de Janeiro, a sua jurisdição envolve ainda o Estado do Espírito Santo e a maior parte do Estado de Minas Gerais.
Nossa Diocese tem 25 congregações, entre paróquias e missões, espaços onde o amor de Deus é celebrado, é anunciado e vivenciado. Nem sempre todas essas congregações têm espaços próprios, algumas são itinerantes e se encontram nas residências das pessoas ou em lugares públicos, ou em lugares alugados para esse fim. Nós temos hoje 21 clérigos, um grupo de clérigos e clérigas, são 21 pessoas ordenadas, sendo 16 na ativa, ou estão ainda na idade que permite a atuação, e 5 eméritos, que embora tecnicamente aposentados, continuam dando a sua contribuição à Igreja, com seu testemunho, com seu ministério e atuando na vida das nossas comunidades paroquiais.
Nós também temos um braço social, um braço institucional, que é a Asa Rio, que é responsável por uma escola, Colégio Anglicano de Araras, no município de Petrópolis, e o Lar Cristão Matilde de Oliveira, que fica aqui no Rio de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro, um lar para idosas. Nossa diocese, nós podemos dizer que ela se divide, ou se caracteriza, por quatro regiões, ou quatro povos, que um dos grandes desafios que temos é aprofundar a unidade entre esses povos. Um deles é o Estado do Espírito Santo, onde temos uma comunidade, uma nascente comunidade também, pequena, um grupo pequeno de pessoas, mas para onde temos muita esperança.
Também na Grande Belo Horizonte, temos comunidades ao redor daquela cidade, e também em Nova Lima, que fica nos arredores de Belo Horizonte, e é uma das comunidades mais antigas da nossa diocese. No Rio de Janeiro, estão a maioria das nossas paróquias, a nossa Catedral do Redentor e as demais paróquias, que incluem a região de Niterói e a região da Baixada Litorânea, e também da Serra, com Friburgo e Petrópolis. Outra região bem diferente, em termos socioeconômicos, culturais, mas que é parte dessa diocese, é a região do Sul de Minas, muito próxima do Estado de São Paulo.
Nossa diocese, na visitação às nossas paróquias, o bispo visita e atravessa esses estados de ônibus e eventualmente de avião, quando é possível. Isso leva bastante tempo, são grandes distâncias. É um dos nossos desafios poder estar presente e criar um movimento de integração entre essas diferentes regiões.
É um dos nossos grandes desafios. Também é um dos nossos desafios viver as cinco marcas da missão, conforme a Comunhão Anglicana, que são, entre elas, a proclamação do Reino de Deus, o anúncio das boas novas do Reino de Deus, o cuidado às novas pessoas que se aproximam à Igreja, com o ensino, o batismo, a experiência sacramental e a nutrição na sua fé, a resposta às necessidades humanas, com amor e serviço a todas as pessoas, a busca por transformar as estruturas injustas da sociedade, desafiando todo tipo de violência e respeitando a dignidade de toda pessoa humana e buscando sempre a reconciliação e também a preocupação ecológica e ambiental com a salvaguarda de toda a criação preciosa de Deus. Em tempos de hoje, isso é muito desafiador.
Vivemos num mundo onde a ecologia não é respeitada, o meio ambiente é destruído e vivemos no lugar do Brasil, estamos numa região do Brasil tão bonita, com montanhas, com praias, com mares, com localidades belíssimas e que têm sofrido, como nós sabemos, com os desastres ambientais em Brumadinho, com a destruição do Vale, em Mariana, do Rio Doce e todas essas terríveis tragédias que vivemos. Também vivemos em Friburgo, alguns anos atrás, tragédia com desabamentos e destruição, com as chuvas e com os deslizamentos de montanhas e morros, mas temos que dar o nosso testemunho nessa região do Brasil. Nós queremos também ser um sinal do amor de Deus nessa região do sudeste brasileiro e com isso nós temos a parceria e o companheirismo com as dioceses que são originalmente filhas da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, a Diocese Anglicana de São Paulo e a Diocese Anglicana do Paraná, que compõem conosco a Área Provincial 2 da Igreja Episcopal do Brasil.
Nós temos, nos últimos anos, aprofundado os nossos laços de relacionamento, ministério e serviço com essas duas dioceses. E também, junto com toda a comunidade Anglicana no Brasil, nós estamos desenvolvendo o planejamento estratégico para os próximos anos da missão da Igreja, cujos três eixos principais são a gestão, a administração da Igreja, a formação, o aprofundamento do crescimento na fé e no conhecimento da membresia da Igreja e a missão com a expansão da Igreja, com a presença da Igreja, com aquelas marcas que nós falamos há pouco. Esse é um tempo importante, 130 anos de presença da Igreja nos desafiam a continuar sendo uma presença animadora, de justiça, de solidariedade, de acolhimento a todas as pessoas.
Nós estamos abertos, nossos templos, nossas comunidades, para receber todas as pessoas, em qualquer situação, porque Deus nos aceita como somos e a Igreja nos acolhe também do jeito que somos, para sermos nela como somos de verdade, sem máscaras, sem falsidade, mas buscando a integridade de vida e de serviço a Deus, de entrosamento, de comunhão com todas as pessoas. Nós sugerimos que, nesse tempo, toda a comunidade Anglicana conheça um pouco da nossa literatura sobre a Igreja.
Então, eu gosto muito de livro, de literatura, sugiro então, para aqueles que não conhecem, um livro chamado Notas para uma História da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, escrito pelo reverendo Oswaldo Kickhofel, um livro muito interessante que tem dados importantes, dados históricos sobre a chegada da Igreja no Brasil, seus ministros, o desenvolvimento das dioceses e instituições da Igreja. Um livro bem antigo, talvez alguns colegas do clero tenham, dados bibliográficos, um pouco de histórias, dados biográficos de parte do clero da Igreja, a turma da velha guarda, que iniciaram a Igreja nos seus primeiros 50, 60, 70 anos, aqueles que quiserem conhecer, vale a pena.
E um livro muito interessante, que hoje teria que ter um novo nome, escrito no início da década de 60, chamado Igreja Episcopal no País do Futuro. A Igreja tem outro nome, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, ampliou um pouco a sua dimensão. No País do Futuro, já estamos no futuro, ou seja, hoje já é presente, mas vale a pena, são reflexões sobre o ministério da Igreja, muito importantes, com algumas fotos interessantes, que nós pretendemos também que sejam associadas a esse vídeo, que mostra um pouco do nosso trabalho, da missão e do ministério da Igreja, nesta região do Brasil. Seja bem-vindo, seja bem-vinda, a Diocese Anglicana do Rio de Janeiro.
(Texto retirado de fala do Bispo Diocesano Revmo. Eduardo Grillo, no vídeo comemorativo dos 130 anos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil [IEAB] em https://www.youtube.com/watch?v=xALevb8faR0)